ATAQUE DE TRUMP ABRE CAMINHO PARA DISPUTA MAIS AMPLA SOBRE PODERES DE GUERRA NOS EUA: EM TEMPO, SENADO CONFIRMA APOIO À CAMPAMHA MILITAR DE TRUMP NO ORIENTE MÉDIO
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Ataque de Trump
abre caminho para disputa mais ampla sobre poderes de guerra nos EUA
Críticos acusam presidente de violar a
Constituição por não ter pedido autorização do Congresso
Por
Charlie Savage
, Em The New
York Times — Washington
01/03/2026 00h00 Atualizado há 3 dias
O ataque, realizado na madrugada de sábado contra o Irã, gerou acusações de que ele viola a Constituição americana ao iniciar uma guerra sem autorização do Congresso. É provável que isso provoque um debate tardio na próxima semana no Congresso, sob a Resolução dos Poderes de Guerra.
Muitos parlamentares democratas e pelo menos dois republicanos no Congresso reagiram ao que o próprio Trump descreveu como “operações de combate principais” — e que poderiam resultar em baixas americanas, “como frequentemente ocorre na guerra” — insistindo que o Congresso deve votar se o país entra em tal conflito.
As acusações destacam uma divisão clara entre como os fundadores da nação pretendiam que a democracia ao estilo americano funcionasse e como ela tem sido frequentemente governada, especialmente durante e desde a Guerra Fria. Presidentes de ambos os partidos usaram os grandes exércitos permanentes mantidos após a Segunda Guerra Mundial para comprometer forças em combate sem autorização do Congresso.
Presidentes têm ignorado limites
Em 1973, no final da Guerra do Vietnã, o Congresso aprovou a Resolução dos Poderes de Guerra na tentativa de recuperar seu papel. Ela descreveu um conjunto limitado de situações em que um presidente pode unilateralmente enviar forças para hostilidades: essencialmente, quando o país está sob ataque. Todo presidente desde então excedeu esse suposto limite.
A Resolução dos Poderes de Guerra também estipulou que medidas não autorizadas em situações hostis devem terminar após 60 dias, a menos que o Congresso vote para aprová-las nesse período. Tanto o presidente Barack Obama, na intervenção na Líbia em 2011, quanto Trump, em sua campanha de ataques a embarcações suspeitas de contrabando de cocaína da América do Sul, argumentaram que essa regra não se aplica a campanhas aéreas em que não há risco às forças americanas.
A lei de 1973 também criou um mecanismo para o Congresso forçar presidentes a retirar imediatamente forças americanas de operações não autorizadas em situações hostis.
Originalmente, se permitia que legisladores agissem por meio de uma resolução que o presidente não poderia vetar, mas uma decisão da Suprema Corte em 1983 levou a uma mudança. Agora, os legisladores devem enviar tais medidas à Casa Branca — o que significa que precisa de maioria de dois terços em ambas as câmaras para derrubar um veto presidencial.
Presidentes desde então obtiveram autorização para grandes guerras terrestres — a Guerra do Golfo Pérsico, Afeganistão e Iraque — e estenderam a lei da guerra no Afeganistão, que visava os perpetradores dos ataques de 11 de setembro, para uma autorização permanente do Congresso para atacar militantes afiliados à Al Qaeda em outros lugares.
Mas eles também reivindicaram crescentemente o direito de realizar intervenções mais limitadas — aquelas consideradas de interesse nacional e cuja natureza, escopo e duração previstos ficam aquém de uma “guerra” no sentido constitucional — sem recorrer ao Congresso.
Como os legisladores não aprovaram o impeachment de presidentes por essas operações, os movimentos acumularam-se como precedentes para seus sucessores construírem sobre eles.
Trump avançou ainda mais com o assassinato do major-general Qassim Suleimani, um alto comandante militar iraniano, em seu primeiro mandato; o bombardeio de instalações nucleares iranianas no ano passado; sua operação contínua de ataques a barcos; e sua invasão da Venezuela no mês passado para prender o ditador Nicolás Maduro.
Nenhum americano foi morto em nenhuma daquelas operações. Mas o ataque de Trump ao Irã parece ser sua operação militar unilateral mais significativa até agora.
Fonte:https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/ataque-de-trump-abre-caminho-para-disputa-mais-ampla-sobre-poderes-de-guerra-nos-eua.ghtml
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Senado dos EUA
confirma apoio à campanha militar de Trump no Oriente Médio
Pesquisa mostra que 43% dos americanos
desaprovam os ataques contra o Irã
Por O Globo com agências internacionais —
Washington
04/03/2026 19h24 Atualizado há 3 dias
Mesmo que a medida tivesse avançado, enfrentaria uma batalha árdua no Capitólio, porque precisaria passar por um processo completo de emendas no Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados, e então por um provável veto presidencial que exige dois terços dos votos no Legislativo para ser derrubado.
A decisão dos senadores republicanos de proteger o presidente ocorre depois que Trump criticou duramente os cinco membros do partido que votaram a favor de uma resolução anterior sobre poderes de guerra para uma ação militar na Venezuela. Desses cinco, apenas um votou novamente para limitar os poderes do presidente. A Câmara dos Deputados deve votar sobre o mesmo assunto na quinta-feira.
Os senadores Tim Kaine, democrata da Virgínia, e Rand Paul, republicano do Kentucky, tentaram forçar a votação da medida. Eles invocaram uma disposição da Lei de Poderes de Guerra de 1973, que exige que as resoluções para encerrar hostilidades ofensivas sejam consideradas sob procedimentos acelerados. Paul foi o único republicano a liderar o esforço, e nenhum outro senador do Partido Republicano se juntou a ele em apoio à medida.
O senador John Fetterman, da Pensilvânia, foi o único democrata a romper com seu partido e votar contra a resolução, mantendo sua postura firme em apoio a Israel e sua relutância em impor limites à autoridade do presidente para agir em sua defesa.
Mesmo que a medida tivesse avançado, enfrentaria uma batalha árdua no Capitólio, porque precisaria passar por um processo completo de emendas no Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados, e então por um provável veto presidencial que exige dois terços dos votos no Legislativo para ser derrubado.
A decisão dos senadores republicanos de proteger o presidente ocorre depois que Trump criticou duramente os cinco membros do partido que votaram a favor de uma resolução anterior sobre poderes de guerra para uma ação militar na Venezuela. Desses cinco, apenas um votou novamente para limitar os poderes do presidente. A Câmara dos Deputados deve votar sobre o mesmo assunto na quinta-feira.
Os senadores Tim Kaine, democrata da Virgínia, e Rand Paul, republicano do Kentucky, tentaram forçar a votação da medida. Eles invocaram uma disposição da Lei de Poderes de Guerra de 1973, que exige que as resoluções para encerrar hostilidades ofensivas sejam consideradas sob procedimentos acelerados. Paul foi o único republicano a liderar o esforço, e nenhum outro senador do Partido Republicano se juntou a ele em apoio à medida.
O senador John Fetterman, da Pensilvânia, foi o único democrata a romper com seu partido e votar contra a resolução, mantendo sua postura firme em apoio a Israel e sua relutância em impor limites à autoridade do presidente para agir em sua defesa.
Os líderes iranianos, declarou Hegseth, estavam olhando para o céu "e vendo apenas o poder aéreo dos EUA e de Israel, a cada minuto de cada dia, até decidirmos que acabou. E o Irã não poderá fazer nada a respeito. Morte e destruição vindas do céu, o dia todo".
Americanos rejeitam ação militar
Uma pesquisa da Reuters/Ipsos revelou que 43% dos americanos desaprovam os ataques, enquanto apenas cerca de um em cada quatro entrevistados disse apoiar as ações conjuntas dos EUA e de Israel. A pesquisa entrevistou mais de 1.200 adultos americanos e foi realizada durante o fim de semana, nos dois primeiros dias de ataques à República Islâmica.
Uma pesquisa separada da CNN, conduzida pela SSRS entre 28 de fevereiro e 1º de março, constatou uma oposição ainda maior, com quase seis em cada dez americanos desaprovando a decisão de realizar uma ação militar no Irã. Quarenta e um por cento disseram aprová-la.
A pesquisa da CNN também revelou que cerca de seis em cada dez entrevistados não acreditam que Trump tenha um plano claro para lidar com a situação, enquanto 39% disseram que os EUA não fizeram esforços diplomáticos suficientes antes de usar a força militar.
A pesquisa mostrou uma forte divisão partidária: 82% dos democratas e 68% dos independentes desaprovaram os ataques, em comparação com 23% dos republicanos.
(Com New York Times)
Fonte:https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/03/04/senado-dos-eua-apoia-campanha-militar-de-trump-no-oriente-medio.ghtml?
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