SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO

Sociedade da Informação

Sociedade da informação e do conhecimento

Sociedade da informação, do conhecimento e da aprendizagem: desafios para educação no século XXI.

Se as informações constituem a base do conhecimento, a aquisição deste implica, antes de qualquer coisa, o desencadear de uma série de operações intelectuais, que colocam em relação os novos dados com as informações armazenadas previamente pelo indivíduo. O conhecimento adquire-se, quando as diversas informações se inter-relacionam mutuamente, criando uma rede de significados que se interiorizam. Na atualidade, umas das percepções provocadas pelas médias é o fato de que o homem moderno crer ter acesso à significação dos acontecimentos, simplesmente porque recebeu informação sobre aqueles. Ledo engano. Paraseando as autoras, o conhecimento é a informação trabalhada pelas pessoas. Em outras palavras, a informação é meramente a declaração dos fatos, ações e divulgação em si, o conhecimento, porém, é a interpretação e aprendizado das informações obtidas, com a seleção crítica do que devemos absorver. Além disso, o conhecimento complementa a informação.

“A ideia subjacente ao conceito de SI é o de uma sociedade inserida num processo de mudança constante, fruto dos avanços na ciência e na tecnologia”. A sociedade de informação “é uma nova realidade que exige dos indivíduos habilidades para lidar com a informatização do saber que ‘tornou mais acessível (...), mais horizontais e menos seletivos a produção e o acesso ao conhecimento’”. É também, possivelmente, a causa e o efeito, simultaneamente, do processo de democratização do saber.

No entanto, mudar o sistema educativo é uma tarefa que requer vontade, motivação e, o mais importante, política. Sendo assim, baseados nos trabalhos de Veen e Jacobs (2005) as autoras apresentam os sete princípios gerais para a educação do futuro: confiança, relevância, talento, desafio, imersão, paixão e auto-regulação.

Por tanto, a relação entre tecnologia e educação é permeada de grandes projetos e grandes decepções, novas investigações solicitam prudência e cautela, mas é preciso se levar em conta os contextos informais de aprendizagem de modo que a tecnologia não seja uma corrente, mas sim, uma aliada da escola. Assim, quando se pensa em educação, deve-se igualmente pensar em tecnologia na medida em que não inserir o aprendente nesse mundo digital é o mesmo que excluí-lo socialmente. Contudo, metade da população brasileira não tem acesso à internet e é responsabilidade nossa, de professores e educadores, ser a ponte de acesso à rede mundial de computadores para essa população que ainda não sabe que vive na era da informação. E, como dizem as autoras na última linha do artigo, “se nós ensinarmos hoje como se ensinava ontem, nós roubamos nossas crianças do amanhã” (livre tradução).

O Paraná, segundo o IBGE, é o estado da Região Sul que mais avançou no número de pessoas com acesso à internet e a telefonia celular entre 2005 e 2008. Apesar dos significativos avanços na inclusão digital, ainda há 5,4 milhões de pessoas no estado sem acesso à internet. Em nível nacional, a rede é inacessível a 104,7 milhões de brasileiros.

A Sociedade da informação e o acesso á educação: uma interface necessária a caminho da cidadania.

Em verdade, hoje vivemos o auge da “Sociedade da Informação”. O traço característico desta sociedade pós-industrial é o avanço vertiginoso da tecnologia de ponta e do fluxo de informação pela comunicação. Contudo, algumas regiões da “Aldeia Global” ainda vivem à margem dos benefícios da modernidade tardia. Neste cenário, o Brasil vê-se obrigado a repensar e implementar uma política publica de ensino que democratize, definitivamente, a cidadania e o acesso a tecnologia.

Sendo assim, o Livro Verde da Sociedade da Informação tem por objetivo integrar, coordenar e fomentar ações para a utilização de tecnologias de informação e comunicação no ensino, de modo a contribuir para a inclusão social de todos os brasileiros no novo paradigma e, concomitantemente, desenvolver a economia do país. A implantação do programa pressupõe a união dos três grandes setores da economia, o público, o privado e a sociedade civil organizada (em ONGs, por exemplo). Neste ínterim, o maior desafio não é a tecnologia tão somente, mas entender a educação como um elemento chave na construção de uma sociedade alicerçada na informação, no conhecimento e no aprendizado. Portanto, as tecnologias de informação e comunicação devem ser utilizadas, no processo de ensino-aprendizagem, como meios integradores da escola com a comunidade. Urge assim, a “alfabetização informática”.

No entanto, tendo em vista a situação da infra-estrutura da rede pública de ensino nacional, impõe-se um desafio nunca antes visto na história da educação brasileira, a saber, o custo para aquisição, manutenção e atualização do parque instalado exige mais do que um belo discurso de campanha. Em outras palavras, faz-se necessário um investimento não apenas financeiro, muito embora este seja o mais assustador, mas, sobretudo, um investimento cultural e ideológico. Trocando em miúdos, é preciso quebrar os paradigmas antigos.

Com efeito, para alcançar a alfabetização digital, deve-se investir em educação básica e nas escolas públicas, investir na capacitação de professores, e na educação continuada, investir na educação digital, e esperar. Até porque a crise não se resolve do dia pra noite. 

Em suma, as diretrizes foram lançadas em 2001 pelo ministério da ciência e tecnologia. Lá se vão 13 anos de espera e considerando o micro, o regional, e o periférico em relação ao central, muito pouco se fez sentir, seja no meio ou na margem. A educação, mormente sua infra-estrutura, ainda padece de uma doença, diríamos, pré- moderna, levando-se em conta que, sendo a informação um bem social e um direito coletivo, e sendo a cidadania atravessada, necessariamente, por ela, estamos ainda bem longe do ideal de qualidade reivindicado pela “Sociedade de Informação”.

Visão analítica da informática na educação no Brasil

Em uma breve retrospecção histórica, Valente e Almeida investigam a influência de outros países no desenvolvimento da informática, enquanto ferramenta pedagógica, na educação brasileira. Entretanto, a despeito da influência francesa e americana, e apesar da história da informática na educação no Brasil ter sua gênese no inicio dos anos 70, acumulando, pois, 40 anos de tradição, a informática na educação ainda não impregnou as ideias dos educadores e, por conseguinte, não esta consolidada no nosso sistema educacional. Há várias razões para isto.

Em verdade, segundo os autores, são duas as principais razões para o nosso fracasso: primeiro, a falta de equipamentos nas escolas; segundo, o processo de formação de professores frágil e lento. Por outro lado, o mesmo aconteceu na França e nos Estados Unidos. Tanto nestes países desenvolvidos como no Brasil, os fracassos foram, ao menos em parte, superados por pesquisadores e professores.

Com efeito, é necessário um investimento maciço por parte do governo em equipamento e infra-estrutura. E, é claro, na formação de qualidade dos professores que devem ser entendidos como aliados e não obstáculos no processo de construção do conhecimento e da cidadania. No entanto, tudo isso implica “em entender o computador como uma nova maneira de representar o conhecimento provocando um redimensionamento dos conceitos já conhecidos e possibilitando a busca e compreensão de novas ideias e valores”.

Enfim, os autores criticam a tradição idealista que acredita que a informática tem o compromisso de sanar, de uma vez por todas, todos os problemas, falhas e lacunas da educação brasileira. Contudo, a sobriedade e o equilíbrio reclamado pelos autores é contestável, à medida que “criar condições para que o professor saiba recontextualizar o aprendizado e a experiência vividos durante a sua formação para a sua realidade de sala de aula compatibilizando as necessidades de seus alunos e os objetivos pedagógicos que se dispõem a atingir” é, larga medida, uma comeniana utopia, tendo em vista a ainda permanente ausência de equipamentos tanto no ensino básico como no ensino superior. Isso é verificável cotidianamente, para usar um termo caro às ciências modernas.

Outro problema grave é a insegurança por parte dos professores no que se refere ao uso do computador, quando este há, na sua prática pedagógica. É comum ouvir entre os colegas que os alunos dominam a máquina mais que os educadores. Isso só é verdadeiro em parte. Mas o receio e o medo são recorrentes. Entrementes, o domínio da máquina é o menos importante uma vez que, e isso é o principal, é a metodologia de ensino que deve orientar o uso do computador e não o contrário. Porém, aí tropeçamos de novo.

Considerações Finais

Os três artigos aqui resenhados refletem uma preocupação atual que toca profundamente a pesquisa e o ensino no país. De fato, os três estudos se debruçam sobre o papel da informática e o seu potencial pedagógico na escola e, consequentemente, sua relevância para Sociedade da Informação.

Em outras palavras, a produção científica e acadêmica parece ser um excelente passo em direção ao novo paradigma educacional da Sociedade da Aprendizagem. No entanto, sob o ponto de vista prático, ainda nos deparamos com os velhos problemas da infra-estrutura das escolas reais, espalhadas em todos os estados e municípios do território nacional, e a já conhecida e deficiente formação de docentes.

Enfim, se avançamos muito na teoria, ainda temos um longo caminho a percorrer no que se refere à prática. Mas, o abismo entre teoria e prática só será superado quando a escola entrar, de verdade, em pauta na política pública federal e estadual do nosso varonil estado nacional. 

COUTINHO, C. LISBOA, E. SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO, DO CONHECIMENTO E DA APRENDIZAGEM: DESAFIOS PARA EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI. Revista de Educação, Vol. XVIII, nº 1, 2011, p. 5-22. Disponível em: HTTP://revista.educ.fc.ul.pt/arquivo/vol_XVIII_1/artigo1.pdf

SILVA, A. K. A. da. A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E O ACESSO À EDUCAÇÃO: UMA INTERFACE A CAMINHO DA CIDADANIA. Artigo originado de monografia apresentada à disciplina Informação e Sociedade no Mestrado em Ciência da Informação, Universidade Federal da Paraíba. Disponível em: WWW.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=13477

VALENTE, J. A. VISÃO ANALÍTICA DA INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO NO BRASIL. Disponível em: HTTP://www.geogebra.im-uff.mat.br/biblioteca/valente.html


Artigo por Priscila Kelly Batista 

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