DISCUTINDO AS REDES SOCIAIS E O JORNALISMO NA INTERNET*





Uma das discussões que tem feito falta no jornalismo atualmente é o debate a respeito de como as redes sociais podem contribuir e atuar junto aos veículos jornalísticos. Muito se fala com relação à ação dessas redes na produção de informações noticiosas de forma colaborativa, mas pouco com relação à otimização da participação nas redes sociais pelo jornalistas e veículos. É com a ideia de proporcionar um pouco de discussão a respeito desta questão que escrevi esse texto. Mas comecemos do princípio.
Mas o que são as redes  sociais?
Inicialmente, é preciso entender que as redes sociais são diferentes dos sites de redes sociais e que estes não são todos iguais. Isso significa que o Orkut, por exemplo, possui redes sociais (que são as pessoas, os atores e instituições sociais) que utilizam o sistema como forma de se expressar. Assim, o Orkut é apenas uma ferramenta e não uma rede social. Além disso, as pesquisas têm mostrado que os sites de redes sociais no Brasil não são usados da mesma forma. Enquanto o Twitter tem um caráter mais informacional, por exemplo, o Orkut é um site mais social. Isso significa também que esses sites são diferentes entre si e que as pessoas os compreendem de forma diferente. Assim, o primeiro passo para um veículo jornalístico utilizar essas ferramentas é entendê-las e, a partir daí, elaborar a melhor estratégia para atingir seu público. Minha ideia é que os veículos também se apropriem dessas ferramentas, extraindo valores das redes sociais que estão expressas nelas.
E como os sites de redes sociais funcionariam para o jornalismo?
Uma vez compreendido que sites de redes sociais são diferentes, os veículos jornalísticos podem utilizar os sites com base na sua apropriação pelos indivíduos. Primeiro, vou discutir esses sites de forma geral, e depois focarei em algumas possíveis apropriações pelos veículos jornalísticos.
Sites de Redes Sociais como fontes
O primeiro e mais óbvio uso dos sites de redes sociais é como fontes. Através dessas ferramentas, o jornalista tem acesso a um número infinito de fontes, mais especializadas e até mesmo com maior credibilidade e a um número infinito de informações que podem gerar matérias. Essa característica pode auxiliar a encontrar um especialista mais apropriado para comentar uma matéria ou mesmo receber uma informação em primeira mão de alguém que está presente ou próximo do ocorrido. Os sites de redes sociais podem também auxiliar a refinar uma informação, encontrar novas impressões e completar uma cobertura. Não estou falando aqui naquilo que o jornalismo online tem mais feito no Brasil - procurar perfis do Orkut para ilustrar matérias. Falo especificamente de usar essas redes como fontes, observar as insatisfações, os comentários e as informações publicadas pelas pessoas e a partir daí, pensar em construir matérias mais próximas dos grupos sociais a que se destinam.
Sites de Redes Sociais como feedback
Sites de redes sociais também oferecem feedback para os veículos jornalísticos.  Uma matéria bem feita pode gerar comentários, discussões e ser propagada dentro dos grupos sociais de forma a amplificar seu impacto. Já uma matéria mal feita ou mal apurada pode ser rapidamente desmentida e ridicularizada pelos grupos sociais. Observar o que se fala do veículo e como se fala, apesar de muitas vezes doloroso, pode oferecer clareza naquilo que insatisfaz as pessoas e naquilo que o veículo pode melhorar. Vejo um grande clamor, por exemplo, por notícias locais melhores. Parece absurdo que em um mundo ridiculamente globalizado, as notícias locais parecem sempre piores, mais difíceis de ser encontradas e mais superficiais. E quanto mais conectadas as pessoas estão, mais amplos os canais de informação e maior sua capacidade de receber informações relevantes. Essa medida de relevância das notícias é algo que o jornalismo parece custar a entender. Apresentar um jornal online com as mesmas notícias de 90 outros não é apostar na relevância. Notícias especializadas, focadas e localizadas podem ser bastante ampliadas nas redes sociais, gerando também valor para o veículo.
Sites de Redes Sociais como espaço de atuação
Outro elemento que parece de difícil compreensão para o jornalismo hoje é usar os sites de redes sociais como um espaço também do veículo. Estar presente onde está seu público é uma característica dos veículos jornalísticos. Assim, utilizar esses sites para comunicar, interagir, obter informações, complementar informações e mesmo anunciar novas notícias é relevante. Não falo aqui de criar um perfil no Orkut para o jornal, por exemplo. Mas criar uma comunidade, ter um ombudsman focado naquilo que o público discute, oferecer um espaço de debate das notícias, utilizar o Twitter como ferramenta para atualizar seu público-alvo com notícias relevantes e rápidas é fundamental. Penso em quantos jornais poderia utilizar o Twitter, por exemplo, para informações do tempo, do trânsito e últimas notícias no Brasil e quão poucos realmente investem nisso.
Aplicando essas questões para os sites de redes sociais hoje, poderíamos discutir várias estratégias. O Orkut é um site mais social, focado mais na interação e o mais abrangente do Brasil. Isso significa que ali as pessoas conversam mais do que procuram informações. Apesar disso, nas comunidades é possível encontrar discussão e até mesmo solicitações de informação. Além disso, as redes sociais no Orkut costumam ser bastante focadas nos territórios offline, ou seja, as pessoas se organizam em torno de cidades, estados, vizinhanças e etc. e o sistema é, muitas vezes, a porta de entrada da Internet para muitos brasileiros. Portanto, talvez o uso de comunidades para acompanhar discussões e debates sobre as notícias locais e globais seja um uso interessante e relevante. Fixar a marca com notícias de interesse local e mobilizar comunidades também. O Orkut portanto, pode funcionar como fonte e como feedback, embora eu aposte mais na última opção.
O Twitter, por outro lado, é um site de nicho no Brasil. Tem, portanto, poucos usuários, mas um impacto bastante expressivo em boa parte das informações que circulam na Internet. Tem sido utilizado por um público mais ativo na Internet, e é mais focado em informações. Poderia ser utilizado como forma de informar rapidamente o público–alvo de pequenas notícias. A relevância das informações, que poderia ser estabelecida através de canais e do envio para ferramentas móveis (uso do celular para receber informações do trânsito, da temperatura e etc., por exemplo) ajuda a aumentar o seu valor para o jornalismo. Aqui, a ideia é realmente noticiar, apostar no “furo” e na relevância e não simplesmente comentar informações antigas, apostar no contato com as fontes e no monitoramento de informações relevantes. O Twitter pode emprestar agilidade para os veículos na publicação das notícias.
Fotologs e sites de imagens poderiam ser apropriados como formas de aumentar a importância do fotojornalismo. As imagens ainda são fundamentais para a maior parte das notícias.
Utilizar um canal específico para divulgar as imagens com qualidade, contar a história da matéria por fotografias e mesmo  oferecer a possibilidade de que cidadãos possam contribuir também com imagens dos fatos exige um canal específico. Muitos jornais possuem canais de imagens, onde as fotografias ficam em qualidade reduzida, onde muitas vezes não podemos encontrar a matéria que acompanha a imagem ou mesmo a organização das mesmas de uma forma que faça sentido para o leitor. Não digo aqui que o jornal necessite criar um perfil em uma ferramenta, mas que simplesmente, crie um canal do tipo para o veículo, talvez dentro de seu próprio site, que proporcione elementos semelhantes àqueles dessas ferramentas.
É claro que essa discussão só faz sentido para aqueles jornais que já estão mas ou menos focados na Internet, que já ultrapassaram a barreira de criar e manter um website com notícias relevantes, focadas, e com a produção específica de informações para a Web. Aqui, discuti algumas formas de utilizar essas redes sociais para o jornalismo, mas não falei em todas as formas. A ideia é que essa discussão passe a ser realizada nas redações, com a aposta cada vez maior na relevância das notícias.
*Raquel Recuero é doutora em Comunicação, professora e pesquisadora da Universidade Católica de Pelotas e do CNPq e consultora em mídias sociais. Mantém o blog Social Med
Rosental Alves, considerado um dos maiores especialistas em jornalismo online, esteve recentemente em Portugal a promover um workshop de jornalismo e empreendedorismo. O director do Knight Center para o Jornalismo nas Américas e professor de ciberjornalismo na Universidade de Austin, no Texas, aproveitou a sua estadia no Porto para falar ao JN sobre a importância das redes sociais no jornalismo. Hoje, no dia em que as redes sociais são celebradas em todo o planeta, confira a entrevista: 

Há dois anos atrás, perguntaram-lhe se o jornalismo ia ser feito em 140 caracteres, por causa do sucesso do Twitter. Concorda com isso?
O jornalismo de hoje não é feito em 140 caracteres, mas muito jornalismo é feito em 140 caracteres e o jornalismo que é feito em mais caracteres ficou potencializado pela grande disseminação do Twitter. É praticamente inconcebível algum projecto jornalístico que ignore o Twitter, pois o Twitter virou parte do jornalismo. O tipo de narrativa rápida, em poucas palavras tornou-se uma ferramenta interessante para o jornalismo, mais do que era entendido há dois anos atrás.

O contexto do Twitter e do Facebook mudou nos dois últimos anos em termos jornalisticos, então...
Sim, o jornalismo que há dois anos ainda desconfiava do Twitter e fazia piadas hoje, de uma maneira geral, adoptou o serviço. Todas as empresas jornalísticas que eu conheço têm uma estratégia específica para o Twitter e para o Facebook, uma estratégia de social media que se tornou imprescindível.

De que forma as redes sociais mudaram o jornalismo?
Não mudaram o jornalismo. As redes sociais mudaram o Mundo. Mudaram o Mundo dentro do qual o jornalismo vive. O jornalismo não pode ignorar isso. As redes sociais são instrumentos muito importantes para a difusão do trabalho jornalístico, assim como para a apuração de informações. É muito difícil a vida de um repórter que ignore completamente as redes sociais hoje em dia. Em muitos lugares e ambientes, as notícias acontecem primeiro, cada vez mais, nas redes sociais do que nas redes jornalísticas.

Como encara o desafio de fazer jornalismo numa altura em que a pessoa ali da esquina relata nas redes o fogo na casa ao lado primeiro que o jornalista?
A pessoa da esquina sempre soube primeiro do fogo que o jornalista. O que não havia era uma ligação entre a pessoa da esquina e o jornalista. As redes sociais criaram essa nova dimensão, que foi vista muito primeiro no tsunami [no Japão] e depois nas bombas em Londres. Desde essa altura que toda a gente fala "user generated content", mas é mais que isso, é uma ligação. É o que eu chamo de homus networkis. Há muitos anos que tenho esta expressão e que dizia que ia acontecer e que hoje é uma realidade. As pessoas estão interligadas, em redes activas e o jornalista que não estiver a ouvir essas redes está por fora e vai ser o último a saber.

Qual o papel que o jornalista pode representar nas redes sociais?
Muitos. O jornalista tem que ver as redes sociais como lugares de conversação, como lugares para encontrar pessoas, como lugares para divulgar o trabalho que faz, divulgar o trabalho que outros fazem. Há uma multiplicidade enorme de actividades que o jornalista deve ter na rede.

Já não acha que as redes sociais são uma moda passageira?
Até admito que, talvez, estejamos a passar pelo pico da "onda" das redes sociais. Pode ser até que, em algum momento, haja um ponto de inflexão e elas diminuam ou parem de crescer, mas nunca vão desaparecer, vão ser sempre importantes. Elas não representam algo passageiro, mas uma mudança paradigmática importante na maneira como as pessoas, no dia-a-dia, comunicam entre elas. Essa é que é a grande verdade, pois ela é uma extensão da comunicação interpessoal.

Que futuro para as redes sociais?
Temos alguns dilemas hoje. Por exemplo, o do Twitter ser uma empresa única, com esse domínio que tem. E o Facebook também... e a capacidade dominante e dominadora desses gigantes. Mas aí entra um pouco a teoria de rede: quanto maior é a rede, mais potente vai ficando e mais crescimento exponencial vai tendo. Realmente não sei qual é o futuro das redes. Há muitas outras redes que estão a crescer, algumas sectoriais, algumas especializacões, algumas que nem sabemos. Talvez o que haja no futuro são umas redes grandes e outras mais especializadas, como um long tail. Assim, temos as redes grandes, responsáveis por quase tudo e onde está quase toda a gente e outras menores, mais pontuais.
Fonte : Blog nós na rede
Com o surgimento das ferramentas que permitem interação através da Internet, os meios de comunicação introduziram novas rotinas na forma de se processar o jornalismo. Foi assim que rapidamente se observou uma migração do mass media para o novo meio, sem que se percebesse uma alteração na linguagem. O jornalismo on-line, tornou-se assim que surgiu, o mesmo modelo de jornalismo, apenas em um novo meio.
Uma série de eventos mostraram o “boom” e a importância dessas redes. A campanha presidencial de Barack Obama foi toda acompanhada de perto pela Internet, através de vídeos, blog e páginas pessoais. Através do Twitter por exemplo, foi possível saber de tudo que os eleitores falavam sobre sua campanha.
Em Santa Catarina, as fortes chuvas e a catástrofe de novembro de 2008 rederam conteúdo para comentário e pesquisas em vários sites, e entre eles se fortaleciam as redes socias, os blogs e os perfis de usuários que postavam suas próprias imagens e informações sobre o que estava acontecendo em sua região.
Esses exemplos validam a importância dessa inovação promovida pela Web 2.0, que está cada vez mais presente no cotidiano das pessoas.
Citando isso, lembramos da velha premissa do jornalismo – o profissional que se preze não se atem à uma fonte. A Internet então, supre a carência de contato com pessoas “distantes”. Além de complementar a busca por informações, as redes sociais aproximam e promovem a interação entre emissor e receptor da mensagem.
Bom para quem produz a notícia, melhor ainda para quem acompanha. Nunca foi tão fácil entrar em contato com os jornalistas, como hoje. Se antigamente era preciso escrever uma carta, enviá-la e torcer para que ela chegasse as mãos certas, hoje é só procurar sua página pessoal em uma rede social e escrever.
Uma relação bidirecional e simétrica. É assim que a comunicação funciona na Internet – de todos para todos. A interatividade na rede mundial é muito valiosa para os que queiram dirigir mensagens e informações específicas para públicos de interesse.
Na Internet, a organização não está falando para uma pessoa, mas sim, conversando com ela. E essa é, indiscutivelmente, a grande revolução do processo comunicacional, do século.

As Redes Sociais trouxeram muita informação para a sociedade, Armando Levy explica como as Redes Sociais tem mudado para o jornalista, seu papel, como é o consumo de notícia, e quanto a credibilidade?  Confira o vídeo :






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